PROJETO BIODIGESTOR
INTRODUÇÃO:
O presente trabalho foi desenvolvido na Escola de Ensino
Infantil e Fundamental Professor Marcilio Dias de San Thiago localizada no
bairro Vila Manaus em Criciúma, com os alunos do 5º ao 8º ano.
Foi desenvolvido com os alunos a origem do biodigestor e
todo o processo de desenvolvimento do biogás com restos de alimentos.
O biodigestor foi construído pelos alunos sob a orientação e
supervisão do professor.
OBJETIVOS
Desenvolver conhecimentos relativos a reciclagem, a produção
de biogás e biofertilizante através da construção de um biodigestor;
Trabalhar com os
alunos as fórmulas químicas que envolvem todo o processo de fermentação
anaeróbica no biodigestor.
METODOLOGIA
Foram realizadas aulas expositivas dialogadas sobre a origem
e função do biodigestor; as formulas químicas que envolvem o processo de
formação do biogás e biofertilizante.
Os alunos foram levados à campo para construção do
biodigestor. Todo o material para sua execução foi cedido pela Prefeitura
Municipal de Criciúma dentre eles: pá, tijolo, cimento, areia, brita, ferro, mangueiras, cano de PVC, válvula de gás, etc.
Os alunos junto ao professor construíram um pré-projeto da
planta do biodigestor antes do mesmo ser concretizado. Após, a planta (desenho)
foi colocada em pratica, sendo colocado tijolo por tijolo até atingir uma
altura de 1,50m e 80 por 60cm de largura. Na parte inferior do biodigestor foi feito um buraco para a saída do
biofertilizante através de um cano de PVC (150cm), na parte superior, na tampa foi colocado uma
mangueira chumbada para a saída do biogás e uma válvula de gás de cozinha sendo
o gás injetado diretamente no botijão. O biofertilizante foi jogado diretamente
na horta escolar.
Após a construção completa do biodigestor o mesmo recebeu
água e material orgânico como cascas de frutas e legumes. O biodigestor foi
fechado para que então ocorresse o processo de fermentação anaeróbica. A tampa
foi chumbada com cimento para que a vedação completa fosse garantida, pois
qualquer entrada de ar comprometeria o desenvolvimento das bactérias
anaeróbicas.
RESULTADOS
Foi produzido uma certa quantidade de biogás mas foi produzido muito mais
biofertilizante, que foi jogado na horta onde serviu muito para regular o pH do
solo, assim gerando hortaliças e chãs.
Apostila para pesquisa dos
alunos ( material para leitura)
Introdução
Os restos de materiais
orgânicos como a suinocultura passou por grandes transformações nas últimas
décadas, intensificando e concentrando-se em algumas regiões do Brasil,
especialmente no Sul do Brasil, expandindo agora para o Centro-Oeste. Os
avanços tecnológicos da atividade não foram acompanhados pela questão de
tratamento dos resíduos, ou seja, dos dejetos de suínos e lixo orgânicos. Um
dos motivos foi a pouca capacidade de investimento dos produtores, uma vez que
o custo para manejo e tratamento sempre foi alto e não gerava retorno. Com o
surgimento de tecnologias para este fim, os produtores perceberam que, com a
utilização correta de alguns sistemas, seria possível agregar valor aos dejetos
produzidos em suas propriedades, além de amenizar o problema.
Biodigestor anaeróbico é um equipamento usado para a produção de
biogás, uma mistura de gases – cerca de 75% CO2 e 25% metano - produzida por
bactérias que digerem matéria orgânica em condições anaeróbicas (isto é, em
ausência de oxigênio). Um biodigestor nada mais é que um reator químico em que
as reações químicas têm origem biológica.
Utilização
O biogás pode ser usado como
combustível em substituição do gás natural ou do Gás Liquefeito de Petróleo
(GLP), ambos extraídos de reservas minerais. O biogás pode ser utilizado para
cozinhar em residências rurais próximas ao local de produção (economizando
outras fontes de energia, como principalmente lenha ou GLP). Pode também ser
utilizado na produção rural como, por exemplo, no aquecimento de instalações
para animais muito sensíveis ao frio (leitões até 15 dias de idade, por
exemplo) ou no aquecimento de estufas de produção vegetal.
Pode ser usado
também na geração de energia elétrica, através de geradores elétricos acoplados
a motores de explosão adaptados ao consumo de gás. Exemplo um motor de caminhão
como gerador de eletricidade.
Equivalência
energética
Um metro cúbico
(1 m³) de biogás equivale energeticamente a :
· 1,5
m de gás de cozinha;
· 0,52 a 0,6 litro de
gasolina;
· 0,9 litro de álcool;
· 1,43 kWh de
eletricidade;
· 2,7 kg de lenha
(madeira queimada).
O efluente (o líquido que
sai do biodigestor após o período de tempo necessário à digestão da matéria
orgânica pelas bactérias) possui propriedades fertilizantes. Além de água, o
líquido efluente, conhecido como biofertilizante, apresenta elementos químicos
como nitrogênio, fósforo e potássio em quantidades e formas químicas tais que
podem ser usados diretamente na adubação de espécies vegetais através de
fertirrigação. O biofertilizante possui entre 90 a 95 % de água (isto é, 5
a 10% de fração seca do líquido). Nessa base seca, o teor de nitrogênio -
dependendo do material que lhe deu origem - fica entre 1,5 a 4% de nitrogênio
(N), 1 a 5% de fosfato (P2O5) e 0,5 a 3% de potássio (K20).O mesmo biodigestor que trata os dejetos
vindos do estábulo ou da pocilga ou do confinamento de bovinos pode ser ligado
ao esgoto doméstico das residências. Embora sejam usados primordialmente como
fonte de energia e de fertilizantes orgânicos para produtores rurais, o
biodigestor também pode ser enfocado como um sistema de tratamento de esgotos
humanos para pequenas comunidades urbanas.
Condições
anaeróbicas
As condições
ótimas de vida para as bactérias anaeróbicas são:
Inexistência
de Ar
O Oxigênio (O2) do ar é letal para as bactérias anaeróbicas.
Se houver oxigênio no ambiente, as bactérias anaeróbicas paralisam seu
metabolismo e deixam de se desenvolver. As bactérias aeróbicas (que utilizam o
oxigênio em seu metabolismo) produzem dióxido de carbono (CO2) como produto final de sua respiração. As
Archaeas metanogênicas produzem metano (CH4).
Enquanto que o metano é um gás rico em energia química e, portanto, pode ser
usado como combustível, o dióxido de carbono já está totalmente oxidado e não
pode ser usado como combustível. Se o biodigestor não estiver hermeticamente
vedado contra a entrada de ar, a produção de biogás não ocorre porque as
bactérias anaeróbicas morrem e as aeróbicas sobrevivem. O biogás produzido será
então rico em CO2 e não em metano. Assim, o biodigestor deve assegurar uma
completa hermeticidade que cause uma completa falta de oxigênio em seu
interior, isto é, a completa anaerobiose do ambiente necessária para o
metabolismo das bactérias anaeróbicas.
Temperatura
adequada
A temperatura no interior do
biodigestor é um parâmetro importante para a produção de biogás. As archaeas
que produzem metano são muito sensíveis a alterações de temperatura. Alterações
de temperatura que excedam 45 graus Celsius ou vão abaixo de 15 graus Celsius
paralisam a produção de biogás. Assim, outro papel do biodigestor também é o de
assegurar certa estabilidade de temperatura para as bactérias.
Nutrientes
Os principais nutrientes dos
micro-organismos são o carbono, nitrogênio e sais minerais. Fontes ricas de
nitrogênio são os dejetos de animais (inclusive seres humanos). Fontes ricas de
carbono são os restos de culturas vegetais. Os sais minerais presentes nos
dejetos animais e resíduos vegetais são suficientes para a nutrição mineral das
bactérias. No entanto, se não houver um adequado equilíbrio de compostos de
carbono (que fornecem a energia) e de compostos nitrogenados (que fornecem o
nitrogênio) não ocorrerá uma eficiente produção de biogás.
Teor de água
O material a ser fermentado
deve possuir em torno de 90 a 95 % de umidade em relação ao peso. Tanto
muita água quanto pouca água são prejudicial. O teor da água varia de acordo
com as matérias-primas destinadas à fermentação. Esterco de bovino (que possui
em média 84% de umidade) precisa ser diluído em 100% de seu peso em água. Já o
de suínos (com 19%) precisa de 130% de seu peso em água. O de ovinos e
caprinos, em 320%.
Tipos de biodigestores
Biodigestor
anaeróbico tubular
O biodigestor é
composto de :
Caixa de entrada – Esta é à parte do biodigestor em que é feito o
carregamento dos resíduos animais e vegetais. Os resíduos podem ser submetidos
a uma trituração e diluídos com água até atingirem o teor adequado de umidade
(90 a 95% de água).
Biodigestor propriamente dito - Dentro do biodigestor, na área de entrada
de materiais, processa-se inicialmente uma fermentação aeróbica ácida na qual
os açúcares simples presentes no material são fermentados e se transformam em
acetato (ou ácido acético). No corpo do biodigestor passa a ocorrer uma
fermentação anaeróbica concomitante. As bactérias que produzem acetato usam
todo o oxigênio presente na carga inicial e o ambiente interno do biodigestor
tende a ficar anaeróbico e as bactérias que sobrevivem são apenas as
anaeróbicas. Elas utilizam o acetato em seu metabolismo e o transformam em
metano. O ambiente torna-se totalmente anaeróbico e a formação de biogás ganha
a maior eficiência. O dimensionamento do biodigestor deve permitir a retenção
da biomassa. O nível de DBO (Demanda Biológica de Oxigênio) do líquido em
fermentação declina e ele começa a se transformar em biofertilizante.
Caixa de saída - A cada volume de carga na entrada corresponde à saída do
mesmo volume de líquido do biodigestor. Este líquido deve ser armazenado em
condições aeróbicas para que, sob a ação de bactérias nitrificastes, sofra uma
última e drástica redução do seu nível de DBO. Estas reações bioquímicas finais
resultam na formação do biofertilizante. Como também deve estocar o produto,
este tanque aberto deve ter capacidade de armazenar cerca de 30 dias de
produção do biodigestor.
Qual o
melhor local para construção dos Biodigestores
É indicado local que produzem resíduos orgânicos diariamente que
sirva como fonte de alimentação para as bactérias que transformara em biogás.
Sua alimentação é descontinua e a produção de gás não é constante. A matéria
orgânica é adicionada no biodigestor, e fica armazenado por um tempo
determinado até a degradação de o material ocorrer e a biogás ser produzido.
Por exemplo, um biodigestor com esterco bovino fica em média trinta a quarenta
dias fechados, sem oxigênio, ocorrendo somente a retirada do gás. Depois é
aberta, a biomassa restante é retirada, podendo ser utilizada como
biofertilizante, e novamente é adicionada a matéria, repetindo-se o processo.
Breve
histórico da origem do biodigestor:
O biodigestor, que na
década de 1970 esteve no auge, caindo em desuso na década seguinte, vindo a
renascer na década de 1990. A Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, dois fatores foram decisivos para o retorno desta
tecnologia. “Um deles se refere à legislação ambiental, que cobra cada vez mais
do produtor a responsabilidade com o meio ambiente no tratamento dos resíduos
da atividade. Outra causa foi à crise de energia enfrentada pelo país e a busca
por energias renováveis, de baixo custo", explicou o pesquisador. O
biodigestor é um sistema de tratamento que estabiliza parcialmente o dejeto.
"Esta característica implica em cuidados redobrados com o manejo",
alerta o pesquisador Airton Kunz. O produto final deve passar por tratamento
complementar, como lagoas de estabilização, se o destino final forem os corpos
d água. Via de regra, o sistema tem um abatimento de 70 a 80% da carga
orgânica, ou seja, ele reduz o poder poluente do dejeto nestas porcentagens.

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